O verdadeiro Espírito de Natal

27 de novembro de 2008


ENCHENTES EM SANTA CATARINA – NOVEMBRO/2008

As fortes chuvas que aconteceram no último fim de semana no estado de Santa Catarina, que deixaram mais de 50 mil pessoas desabrigadas e desalojadas revelaram dois cenários contraditórios. De um lado, imagens trágicas de famílias inteiras que perderam todos os seus bens: suas casas e seus pertences; além de crianças, jovens, adultos e idosos sofrendo pela falta de abrigo, de comida, de água… Sem falar no número de óbitos e de desaparecidos em conseqüência dos alagamentos e deslizamentos.

Por outro lado, a um mês do Natal, foi emocionante presenciar um enorme espírito de solidariedade e de confraternização que tomou conta de todo o estado e do país. Pessoas de todas as raças, religiões, classes sociais, além de representantes de empresas, entidades, governo, polícia e imprensa se uniram em prol ao maior bem que possuímos: o amor aos nossos semelhantes.

Nos abrigos e nos postos de coleta de donativos, em bairros mais carentes ou nas regiões de classe média e alta – que também foram afetadas – pude observar uma união que jamais presenciei. Enquanto pessoas mais simples levavam o que podiam, nem que fosse um quilo de açúcar para ajudar as vítimas da enchente, caminhonetes de luxo chegavam abarrotadas de suprimentos. Ao mesmo tempo, voluntários ajudavam na limpeza dos locais afetados e transportavam barcos e equipamentos, e a polícia e os bombeiros prestavam todo o suporte. Todos juntos, unidos, com a mesma intenção. E nessa situação, os sentimentos de carinho, de amor e de amizade falaram muito mais alto do que a ganância, o individualismo, o rancor…

“Seja rico ou seja pobre, o Velhinho sempre vem”. Sim, e veio mesmo. Ele estava presente por todos os lados, nos fazendo refletir em um momento tão delicado, sobre a importância das nossas vidas e de fazer o bem.

Se este acontecimento ímpar foi um “aviso dos céus”, não sei. A única certeza que tenho é que o VERDADEIRO ESPÍRITO NATALINO reinou sobre o estado e o país e, de uma forma ou de outra, o “Papai Noel” presenteou a todos nós com lições inesquecíveis sobre humanismo, solidariedade e, sem dúvida, sobre o amor.

Adriano Cruz

GrupoW – Softwares para Internet





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Uma resposta to “O verdadeiro Espírito de Natal”

  1. Carol Disse:

    E a sensação que a gente tem ao ir lá ver -porque é só tirando a bunda do sofá que sabemos o que se passa realmente- é um misto de dor e felicidade, são extremos, assim como as reações das pessoas, que nessas horas mostram o que de melhor e o que de pior têm. A essência fica exposta, nem sempre o retrato é belo, mas a solidariedade com certeza, foi a maior marca, e maior lição que possa ter ficado, apesar das histórias “cabeludas” que a gente escuta em paralelo – como comerciantes remarcando preços, ladrões “saqueando” desabrigados, oportunistas procurando “culpados”, gente querendo festejar – numa escola particular a discussão era se faziam ou não a formatura que estava marcada para essa semana; a maioria dos “pais” quer, senão “serão prejudicados”: o aluguel do vestido, os avós que vieram de longe para festa etc. A colega, atingida pela enchente, assim como vários professores e funcionários, disse que enquanto a amiguinha se preocupava com seus “prejuízos”, o vestido dela e o resto da casa estavam debaixo dágua. Tem ainda muita gente que acha mais confortável não enxergar.

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