Mitos da ciência
5 de novembro de 2008A água gira nas pias em sentidos contrários no hemisfério norte e no hemisfério sul?
Este é um dos mitos mais difundidos da ciência, o de que a água giraria nos ralos das pias de acordo com o hemisfério. É certo que a água gira em um sentido no hemisfério norte e no sentido contrário no hemisfério sul. Mas não se pode comprovar isto em um vaso sanitário ou mesmo na pia do banheiro. Segundo o professor Valdir Bindilatti, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), a força de Coriolis – princípio da Física que diz que um fluido que se encontra numa superfície em rotação descreve uma aceleração perpendicular ao movimento da superfície – que afeta, por exemplo, as tempestades, é muito pequena. “No ralo da pia, ao escoar, a água cai num movimento de rotação. A força está lá, mas é muito pequena, e na verdade a água poderá girar para qualquer lado“, diz o especialista.
Numa pia, por exemplo, qualquer pequeno movimento da água já comporta inércia o suficiente para superar a pequena força de Coriolis, que se perde. Assim, a água pode girar em qualquer sentido, independente do hemisfério em que se está.
Um frango pode viver sem cabeça?
Pode – mas só por algum tempo e em circunstâncias muito especiais. O exemplo é Mike, um galo que ficou famoso justamente por ter vivido um ano e meio depois de lhe cortarem a cabeça. O fato aconteceu em setembro de 1945, na cidade de Fruita, no Colorado (Estados Unidos). O fazendeiro Lloyd Olsen cortou o pescoço da ave a pedido da mulher, que queria prepará-la para o jantar. Mas o frango continuou vivo. Olsen o alimentava com um conta-gotas, dando-lhe milho e água diretamente na abertura do pescoço.
Mike foi tema de reportagens da Life e da Time e viajou pelos Estados Unidos sendo exibido pelo dono como The Headless Wonder Chicken. As pessoas pagavam para vê-lo andar enquanto sua cabeça era exibida dentro de um vidro com formol. Cientistas da Universidade de Utah, em Salt Lake City, depois de estudarem Mike, concluíram que o corte – muito mal feito – poupara a jugular e a maior parte do tronco cerebral e massa encefálica. Assim, o galo continuou vivo por mais um ano e meio – e até engordou: em pouco meses, passou do 1,5 kg inicial para 3,5 kg.
De acordo com notícia publicada no jornal El Mundo, Mike morreu num quarto de motel no Arizona. Na época da reportagem, o jornal ouviu um especialista: afinal, um frango pode viver sem cabeça? “Pode viver se o corte não prejudica o tronco cerebral, ainda que olhos, bico, lígua e ouvidos sejam destruídos, e se o corte afetar apenas os vasos secundários”, disse Indalecio Ruiz Calatrava, professor de veterinária da Universidade de Córdoba. “Assim, a hemorragia pode cessar, e se o animal for alimentado manualmente, poderia viver por algum tempo, sim”.
Mike virou uma lenda, tem estátua em sua homenagem na cidade e seu “espírito de luta” é celebrado anualmente em Fruita, na terceira semana de maio, com um festival. Mike tem, inclusive, um site: www.miketheheadlesschicken.org/
Uma moeda lançada do alto de um edifício poderia matar uma pessoa?
Uma moeda, mesmo que pequena como a de 1 centavo, não é precisamente a arma mais eficiente que existe, mesmo se for lançada do alto do Empire State Building – edifício com 381 m de altura, em Nova York, EUA. A professora Thaisa Storchi Bergmann, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), confirma a informação de que a moeda não seria fatal, destacando que a resistência do ar é suficiente para desacelerar a velocidade de queda da moeda.
“Isso se explica graças à velocidade terminal encontrada na atmosfera, que ocorre por causa da resistência do ar”, afirma. Ou seja, é a velocidade na qual a força gravitacional que empurra para baixo é igual e oposta à resistência do ar, que empurra para cima, sendo duas forças constantes que acabam se anulando.
Segundo a professora, a máxima velocidade que o objeto poderia alcançar seria de 240 km/h, que vale para qualquer projétil lançado de um lugar alto. “A moeda não mataria uma pessoa, mas poderia machucar dependendo da forma como ela bater na cabeça. Por exemplo, se cair de pé, com a lateral voltada para baixo, pode sim causar algum desconforto em algum desafortunado pedestre”, completa.
Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar?
Pode parecer improvável que um raio caia duas vezes no mesmo lugar, mas é possível, sim. Basta ver locais que costumam ser atingidos por raios com freqüência, como por exemplo a plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (Estados Unidos).
A grande freqüência de tempestades elétricas durante o verão torna a região do Cabo Canaveral especialmente suscetível às descargas elétricas, particularmente na plataforma, por ser um ponto muito elevado e isolado.
De acordo com o meteorologista Eugênio Hackbart, no site Metsul, a frase “um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar” é apenas um ditado popular. Um raio pode, sim, cair até mais de duas vezes no mesmo lugar.
Ler com pouca luz prejudica a visão?
O oftalmologista Ricardo Lamy, do Hospital Universitário Clementino Fraga, ligado à Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que não existe nenhum estudo científico que comprove que ler em um ambiente com pouca luz possa danificar a visão.
Segundo ele, “o que prejudica é que o esforço para a leitura será maior, ocasionando uma contração dos músculos dos olhos que pode terminar em uma dor de cabeça”.
Mesmo que não prejudique a visão, o ideal, diz o especialista, é sempre procurar as melhores condições possíveis de iluminação.
Susto cura soluço?
O soluço, segundo o médico Tarcísio Mota, é uma respiração com espasmos provocada pelo súbito fechamento da glote (abertura localizada na laringe, que serve de passagem de ar para os pulmões) junto com uma contração repentina e involuntária do diafragma, músculo que separa o tórax do abdome e está relacionado à respiração. Normalmente, o soluço não causa problemas para a saúde e desaparece espontaneamente em alguns minutos.
Ao levar um susto, a pessoa tende a fazer uma forte inspiração, o que aumenta o volume de ar nos pulmões. Os pulmões, por sua vez, pressionam o diafragma e fazem com que ele se estique e volte a funcionar normalmente. Ou seja, o susto até pode funcionar. Mas há outros métodos, como inspirar e segurar o ar por alguns instantes, ou tomar um copo de água com o nariz tampado.
Fonte: Portal Terra

