Centenário de Carmen Miranda

4 de março de 2009

Conheça a história da artista mais marcante do Brasil no exterior

Carmen Miranda

Carmen Miranda pisou em Nova York como uma ilustre desconhecida. Com seu parco vocabulário em inglês, pareceu uma moça ingênua e deslocada aos olhos gringos. Ledo engano. Poucos meses depois, ela era não somente a maior estrela da Broadway como a artista mais bem paga do cinema norte-americano. Vestida de baiana, com bananas sobre a cabeça, a portuguesa de nascença – e só de nascença! – foi, e é ainda hoje, data em que completaria cem anos, o maior ícone da música e da cultura brasileiras no exterior.

Filha de um barbeiro com uma dona de casa, Maria do Carmo Miranda da Cunha veio para o Brasil com poucos meses de idade. E da janela de uma humilde pensão familiar, no número 13 da Travessa do Comércio, centro do Rio, se apaixonou pelo ritmo das ruas brasileiras. Cresceu em meio à boemia sambista, conheceu grandes compositores e intérpretes e nunca conseguiu se firmar em um trabalho “decente” – para os padrões do início do século, é claro. Vendeu gravatas e costurou chapéus, mas a mania de cantar durante o serviço lhe rendeu duas demissões.

Carmen Miranda

“Ainda bem”, ela pensou consigo mesma. O trabalho formal não era mesmo o negócio dela. E isso ficou evidente aos olhos do compositor e violonista Josué de Barros que, de passagem por uma festa no Instituto Nacional de Música, se apaixonou pela voz poderosa daquela menina de um metro e meio. Resolveu financiar cursos de dicção e canto, apresentá-la a gravadoras, agendar espetáculos. O auxílio luxuoso rendeu um contrato com a gravadora RCA e o posto de voz suprema do povo brasileiro. “A pequena notável”, como cunhou César Ladeira, um famoso radialista da época.

Depois de uma temporada de sucesso no Cassino da Urca, Carmen virou embaixadora do samba. Viajou pela América Latina, apresentou-se em Buenos Aires ao lado da irmã Aurora e, por fim, chamou atenção de Lee Schubert, empresário americano de trânsito na Broadway. A princípio, Schubert quis levá-la sozinha para os Estados Unidos. Mas ela, que não era boba nem nada, sabia bem que sem músicos brasileiros, não dava samba. E sabia bem também que era de sumo interesse da política getulista que o Brasil ganhasse espaço como potência cultural. Não à toa, o governo brasileiro financiou a ida do conjunto completo para os Estados Unidos.

Carmen Miranda

E lá, Carmen entrou para a história do mundo: foi o primeiro – e até hoje mais sólido – estereótipo da tropicalidade; foi a primeira artista do terceiro mundo a cravar o nome na calçada da fama; foi campeã de vendagem; foi a artista mais bem paga de Hollywood. Voltou para o Brasil com a bola toda, certa de que agora seria reconhecida como o talento mundial que se tornara, acreditava que o preconceito com o repertório popular que cantava fosse coisa do passado. Em parte, era. Houve quem falasse que a recepção magnífica, com direito a show para a primeira dama, fosse exagerada para uma cantora de samba. No dia seguinte da apresentação, que Carmen inaugurou com um singelo “Good night, people!”, as manchetes a chamavam de “americanizada”.

Foi o início da derrocada. Carmen nunca perdeu o talento ou diminuiu o ritmo de apresentações e gravações. Voltou aos Estados Unidos, ao cinema, à Broadway. Mas a rotina incessante de trabalho a deixava agitada durante a noite, sonolenta durante o dia. Carmen passou a dormir com calmantes e acordar com estimulantes. Passava mal com relativa frequência, sofria com um casamento que descambava em escândalos domésticos. Depois de seis meses de reclusão, voltou à ativa, como se nunca tivesse saído de cena. Mas a nova velha Carmen Miranda durou pouco. Em um programa de televisão, ela caiu de joelhos, com falta de ar e foi levada de volta à sua casa, em Beverly Hills. Naquela mesma noite, em 5 de agosto de 1955, morreu abraçada a um espelho.

Carmen Miranda

Por mais nostálgico que tenha sido o fim, pouco se lembra dessa imagem de uma Carmen Miranda abalada, destruída pelo trabalho, pelas pílulas e pelos amores complicados. Ela é até hoje a referência estética de um Brasil tropical, rico em cores e sons, de cultura viva e gritante. Aos cem anos, ela ganha uma mostra exclusiva na Cinemateca de Lisboa, uma empresa de conservação da produção cultural (Carmen Miranda Administração e Licenciamento, fundada por sua família), além de uma série de homenagens nas mais diversas mídias. Mas nem todas as homenagens são capazes de pagar a dívida que os brasileiros têm com essa artista, que desbravou a América do Norte e tornou nossa cultura e música referências globais.

Veja um vídeo clipe de uma de suas músicas mais conhecidas:

Imagem de Amostra do You Tube

Fonte: Onne

Mitos da ciência

5 de novembro de 2008

A água gira nas pias em sentidos contrários no hemisfério norte e no hemisfério sul?

Este é um dos mitos mais difundidos da ciência, o de que a água giraria nos ralos das pias de acordo com o hemisfério. É certo que a água gira em um sentido no hemisfério norte e no sentido contrário no hemisfério sul. Mas não se pode comprovar isto em um vaso sanitário ou mesmo na pia do banheiro. Segundo o professor Valdir Bindilatti, do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), a força de Coriolis – princípio da Física que diz que um fluido que se encontra numa superfície em rotação descreve uma aceleração perpendicular ao movimento da superfície – que afeta, por exemplo, as tempestades, é muito pequena. “No ralo da pia, ao escoar, a água cai num movimento de rotação. A força está lá, mas é muito pequena, e na verdade a água poderá girar para qualquer lado“, diz o especialista.

Numa pia, por exemplo, qualquer pequeno movimento da água já comporta inércia o suficiente para superar a pequena força de Coriolis, que se perde. Assim, a água pode girar em qualquer sentido, independente do hemisfério em que se está.

Um frango pode viver sem cabeça?

Pode – mas só por algum tempo e em circunstâncias muito especiais. O exemplo é Mike, um galo que ficou famoso justamente por ter vivido um ano e meio depois de lhe cortarem a cabeça. O fato aconteceu em setembro de 1945, na cidade de Fruita, no Colorado (Estados Unidos). O fazendeiro Lloyd Olsen cortou o pescoço da ave a pedido da mulher, que queria prepará-la para o jantar. Mas o frango continuou vivo. Olsen o alimentava com um conta-gotas, dando-lhe milho e água diretamente na abertura do pescoço.

Mike foi tema de reportagens da Life e da Time e viajou pelos Estados Unidos sendo exibido pelo dono como The Headless Wonder Chicken. As pessoas pagavam para vê-lo andar enquanto sua cabeça era exibida dentro de um vidro com formol. Cientistas da Universidade de Utah, em Salt Lake City, depois de estudarem Mike, concluíram que o corte – muito mal feito – poupara a jugular e a maior parte do tronco cerebral e massa encefálica. Assim, o galo continuou vivo por mais um ano e meio – e até engordou: em pouco meses, passou do 1,5 kg inicial para 3,5 kg.

De acordo com notícia publicada no jornal El Mundo, Mike morreu num quarto de motel no Arizona. Na época da reportagem, o jornal ouviu um especialista: afinal, um frango pode viver sem cabeça? “Pode viver se o corte não prejudica o tronco cerebral, ainda que olhos, bico, lígua e ouvidos sejam destruídos, e se o corte afetar apenas os vasos secundários”, disse Indalecio Ruiz Calatrava, professor de veterinária da Universidade de Córdoba. “Assim, a hemorragia pode cessar, e se o animal for alimentado manualmente, poderia viver por algum tempo, sim”.

Mike virou uma lenda, tem estátua em sua homenagem na cidade e seu “espírito de luta” é celebrado anualmente em Fruita, na terceira semana de maio, com um festival. Mike tem, inclusive, um site: www.miketheheadlesschicken.org/

Uma moeda lançada do alto de um edifício poderia matar uma pessoa?

Uma moeda, mesmo que pequena como a de 1 centavo, não é precisamente a arma mais eficiente que existe, mesmo se for lançada do alto do Empire State Building – edifício com 381 m de altura, em Nova York, EUA. A professora Thaisa Storchi Bergmann, do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), confirma a informação de que a moeda não seria fatal, destacando que a resistência do ar é suficiente para desacelerar a velocidade de queda da moeda.

“Isso se explica graças à velocidade terminal encontrada na atmosfera, que ocorre por causa da resistência do ar”, afirma. Ou seja, é a velocidade na qual a força gravitacional que empurra para baixo é igual e oposta à resistência do ar, que empurra para cima, sendo duas forças constantes que acabam se anulando.

Segundo a professora, a máxima velocidade que o objeto poderia alcançar seria de 240 km/h, que vale para qualquer projétil lançado de um lugar alto. “A moeda não mataria uma pessoa, mas poderia machucar dependendo da forma como ela bater na cabeça. Por exemplo, se cair de pé, com a lateral voltada para baixo, pode sim causar algum desconforto em algum desafortunado pedestre”, completa.

Um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar?

Pode parecer improvável que um raio caia duas vezes no mesmo lugar, mas é possível, sim. Basta ver locais que costumam ser atingidos por raios com freqüência, como por exemplo a plataforma de lançamento no Centro Espacial Kennedy, na Flórida (Estados Unidos).

A grande freqüência de tempestades elétricas durante o verão torna a região do Cabo Canaveral especialmente suscetível às descargas elétricas, particularmente na plataforma, por ser um ponto muito elevado e isolado.

De acordo com o meteorologista Eugênio Hackbart, no site Metsul, a frase “um raio nunca cai duas vezes no mesmo lugar” é apenas um ditado popular. Um raio pode, sim, cair até mais de duas vezes no mesmo lugar.

Ler com pouca luz prejudica a visão?

O oftalmologista Ricardo Lamy, do Hospital Universitário Clementino Fraga, ligado à Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que não existe nenhum estudo científico que comprove que ler em um ambiente com pouca luz possa danificar a visão.

Segundo ele, “o que prejudica é que o esforço para a leitura será maior, ocasionando uma contração dos músculos dos olhos que pode terminar em uma dor de cabeça”.

Mesmo que não prejudique a visão, o ideal, diz o especialista, é sempre procurar as melhores condições possíveis de iluminação.

Susto cura soluço?

O soluço, segundo o médico Tarcísio Mota, é uma respiração com espasmos provocada pelo súbito fechamento da glote (abertura localizada na laringe, que serve de passagem de ar para os pulmões) junto com uma contração repentina e involuntária do diafragma, músculo que separa o tórax do abdome e está relacionado à respiração. Normalmente, o soluço não causa problemas para a saúde e desaparece espontaneamente em alguns minutos.

Ao levar um susto, a pessoa tende a fazer uma forte inspiração, o que aumenta o volume de ar nos pulmões. Os pulmões, por sua vez, pressionam o diafragma e fazem com que ele se estique e volte a funcionar normalmente. Ou seja, o susto até pode funcionar. Mas há outros métodos, como inspirar e segurar o ar por alguns instantes, ou tomar um copo de água com o nariz tampado.

Fonte: Portal Terra