Conheça o brasileiro que vai trabalhar em TI na Olimpíada da China
2 de outubro de 2008
Luciano Wulff já está em Pequim para ajudar a cuidar da área de segurança da informação dos jogos.Como não poderia deixar de ser, a infra-estrutura de tecnologia da informação de uma Olimpíada é enorme. Na China, país que está ansioso para provar ao mundo que as suas condições tecnológicas estão par a par com a das maiores potencias ocidentais, isso será ainda mais verdadeiro.
Os números são impressionantes. Respire fundo: mil servidores em dois data centers; mil dispositivos de segurança e rede; 10 mil computadores; 4 mil impressoras; 4,8 mil terminais dedicados ao sistema de resultados; 2,45 mil terminais CIS (Commentator Information Systems); 2,35 mil terminais de intranet. Tudo isso com mais de 200 mil horas de testes (garante a integradora oficial Atos Origin) para que os 17 dias do evento transcorram sem problemas técnicos para as mais de 200 mil pessoas envolvidas.
A vida do pessoal de TI que vai cuidar dos jogos será pesada. Um entre os quatro mil profissionais de tecnologia envolvidos com a Olimpíada será o brasileiro Luciano Wulff, especialista em segurança da informação com mais de 10 anos de experiência no tema.
A primeira experiência em “um projeto olímpico”, conta Wulff, aconteceu em 2005. “Participei de uma seleção interna na Atos Origin para participar dos Jogos de Inverno de Torino, Itália. Trabalhei na equipe de segurança responsável pela infra-estrutura de TI e aplicações customizadas para o evento”, relata. Foram três meses imersos na Itália.
Com esse histórico na bagagem não foi difícil ir aos jogos na China. Luciano está em Pequim há quatro meses, passando os seus dias a trabalhar ao lado do gerente de segurança da informação da Atos Origin. A sua função, que no início era relacionada com planejamento e arquitetura, passou a ser mais próxima dos sistemas de monitoração de segurança e resposta a incidentes.
Atenção em três momentos
O trabalho nas olimpíadas tem dois momentos críticos e todos precisam de cuidado extremo com segurança. Antes do evento, o grande desafio para a TI está no credenciamento de atletas e jornalistas – que em Pequim vai usar etiquetas RFID para aumentar a eficiência. Além disso, a logística para o transporte (que precisa cuidar dos uniformes, desde as equipes até os voluntários) é toda gerenciada via software, assim como a assistência médica.
A captação, apuração e a divulgação dos resultados é o maior desafio da TI durante os jogos. Toda a infra-estrutura de tecnologia precisa estar funcionando perfeitamente para que os árbitros tenham as informações de suas súmulas divulgadas, assim como os placares eletrônicos marquem os resultados corretos e o site do Comitê Olímpico Internacional esteja sempre atualizado (citando apenas alguns exemplos).
“Todas as áreas são críticas dependendo da fase do evento. Essa é uma das características do projeto, que é único. Tudo muda muito rápido e não pode falhar”, resume Wulff.
O especialista destaca que, ao contrário dos grandes projetos em corporações multinacionais, a Olimpíada não tem negociação. “Num mercado tradicional você ainda tem alguma margem para renegociação de prazos numa situação imprevista ou de emergência”, afirma.
Ele completa: “Todos aqui sabem que dia 8 de agosto de 2008 tudo têm que estar funcionando, com 0% falhas de integração, 100% de capacidade de monitoração, completamente testado e com todas as equipes presentes e treinadas”.

